quarta-feira, 27 de março de 2013

Thomas Hobbes (1588-1679)


 Thomas Hobbes (1588-1679) tem uma concepção de natureza humana que pode ser considerada negativa ou pessimista. Não propriamente no sentido do tema da miseria hominis que encontramos no pensamento medieval e mesmo na tradição humanista, mas por considerar o homem como naturalmente agressivo e belicoso. O “estado de natureza, ou natural” em que o homem se encontraria, abstração feita da constituição da sociedade organizada e do governo, é o estado de “guerra de todos contra todos”. O homem é o “lobo do homem” e movido por suas paixões e desejos não hesita em matar e destruir o outro, seu semelhante. O homem de natureza não descreve o homem primitivo, ou o homem anteriormente a qualquer organização social, mas sim como o homem se comportaria, dada a natureza humana, caso se suspendesse a obrigação de cumprir as leis imposta pela sociedade. Trata-se portanto de uma hipótese teórica, deduzida de sua teoria sobre a natureza humana, e não de uma consideração histórica de uma período anterior à formação da sociedade, embora pudesse existir em alguns lugares como entre “os povos selvagens da América” (Leviatã, cap.13) No entanto, isso não poderia ser concebido como prevalecendo universalmente. [...]
Hobbes não defende propriamente a monarquia absolutista, baseado nas teorias tradicionais do direito divino dos reis, mas sim a ideia de que o poder para ser eficaz, deve ser exercido de forma absoluta. Este poder absoluto resulta, no entanto, da transferência dos direitos dos indivíduos ao soberano, e é em nome desse contrato que deve ser exercido, e não para a realização da vontade pessoal do soberano. É nesse sentido que Hobbes é um contratualista – a sociedade civil organizada resulta de um pacto entre os indivíduos- sem ser um liberal já que defende o poder absoluto, poder considerado legitimo enquanto assegura a paz civil. É a esse soberano todo-poderoso que Hobbes denomina “Leviatã”, recorrendo ao nome do monstro bíblico.

MARCONDES, D. Iniciação à História da Filosofia. (201-204)

segunda-feira, 4 de março de 2013

Indicação de Leitura





Disponível em: http://books.google.com.br/books?id=Gg6wf7ziC9AC&printsec=frontcover&hl=pt-BR#v=onepage&q&f=false

Sinopse: Uma análise dos principais rituais e símbolos do Exército, vistos através de três importantes tradições: o culto a Caxias como seu patrono, as comemorações da vitória sobre a Intentona Comunista de 1935 e o Dia do Exército, comemorado na data da primeira Batalha dos Guararapes. Uma fascinante história por trás da História!

sábado, 2 de março de 2013

O declínio do Estado-nação



Sabemos que uma das mais bem-sucedidas formas de organização social criadas pelas sociedades humanas foi o Estado-nação, capaz de engendrar formas de identidade e desenvolver mecanismos de adaptação e hegemonia territorial e histórica entre seus cidadãos e perante os estrangeiros. Em razão disso, sustenta Octavio Ianni que nas ciências sociais predominam os estudos “do caráter nacional, destino nacional, projeto nacional, teatro nacional, música nacional, cinema nacional” (Octavio Ianni, Enigmas da modernidade-mundo)
Mas o que é uma nação senão uma forma de estabelecer relações de proximidade e distância, identidade e estranhamento, promovendo sentimentos de pertencimento e exclusão em relação a uma entidade abstrata e simbólica, que é o Estado? Esse modelo de administração geopolítica, que teve início com a Modernidade e foi responsável pelo desenvolvimento do capitalismo, se espalhou pelos diversos continentes. Baseia-se na força bélica, no conjunto de ordenações determinadas pela Constituição, no estabelecimento de fronteiras espaciais e no sentimento mútuo de inclusão/exclusão – ou se pertence a uma nacionalidade ou se pertence a outra. A identidade dos cidadãos com a nação floresce graças às políticas culturais e educativas que afirmam e oficializam a unidade linguística da nação e criam um imaginário comum que os aproxima – é a cultura nacional que se impõe, enfraquecendo as diferenças regionais.
As culturas nacionais foram soberanas por quase cinco séculos, estabelecendo fronteiras rígidas às formas de viver, comportar-se e sentir dos povos no mundo, impondo-se sobre as populações para além das diferenças étnicas, religiosas e mesmo linguísticas. A formação de impérios coloniais expandiu as culturas metropolitanas pelos territórios colonizados, provocando o enfraquecimento das culturas nativas. Toda essa hegemonia levou ao fortalecimento dos nacionalismos e de suas formas de identidade cultural, tornando-se sentimento predominante sobre outros sentimentos de pertencimento. [...]
A partir da década de 1990, porém, a força dos Estados-nacionais foi profundamente abalada por diversos fatores: a descolonização do mundo, que deu nova força aos grupos étnicos e às culturas nativas; o neoliberalismo, que colocou os interesses de mercado acima dos protecionismos nacionais; a intensa migração de povos pelo mundo e a globalização, que acelerou a troca de informações, mercadorias e mensagens entre nações e continentes. Todos esses processos enfraquecem o Estado como força aglutinadora de nações, levando à multiplicação de formações culturais no interior de diversos países, promovendo o embate, a troca de influências e o convívio entre culturas díspares. O resultado foi o reconhecimento do direito de existência de culturas minoritárias no interior das culturas nacionais e o crescente apego dessas minorias às suas tradições originais. Assim, as culturas nacionais sofrem um duplo golpe nesse momento histórico, chamado por muitos de pós-nacional – por um lado, assistem ao fortalecimento das culturas locais e regionais; por outro, sentem a potencia de uma cultura nova globalizada, que estimula a formação de grandes blocos e corporações de âmbito mundial. De um lado reforça-se o localismo, de outro, o cosmopolitismo.   

Adaptado. Cristina Costa. Sociologia: Questões da atualidade.