domingo, 14 de abril de 2013

Max Weber ( 1864-1920)


Dominação
Uma das questões colocadas à Sociologia é a que se refere à persistência das relações sociais. O que pode levar a que o conteúdo dessas relações ou elas próprias se mantenham? (...) Uma vez que Weber entende que o social constrói-se a partir das ações individuais, cria-se um problema teórico: como é possível a continuidade da vida social? A resposta para tais questões encontra-se no fundamento da organização social, chave do verdadeiro problema sociológico: a dominação ou a produção da legitimidade, da submissão de um grupo a um mandato.
A probabilidade de encontrar obediência dentro de um grupo a um certo mandato torna os conceitos de dominação e de autoridade de interesse para a Sociologia já que possibilitam a explicação da regularidade do conteúdo de ações e das relações sociais.
A dominação legitima pode justificar-se por três motivos de submissão ou princípios de autoridade – racionais, tradicionais ou afetivos. São portanto, três tipos de dominação legítima: a legal, a tradicional e a carismática. As formas básicas de legitimação justificam-se com base em distintas fontes de autoridade:

(...) a do “ontem eterno”, isto é, dos mores santificados pelo reconhecimento inimaginalmente antigo e da orientação habitual para o conformismo. É o domínio tradicional exercido pelo patriarca e pelo príncipe patrimonial de outrora.(...) A do dom da graça (carisma) extraordinário e pessoal, a dedicação absolutamente pessoal  e a confiança pessoal na revelação, heroísmo ou outras qualidades da liderança individual. É o domínio carismático exercido pelo profeta oi – no campo da política – pelo senhor de guerra eleito, pelo governante plebiscitário, o grande demagogo ou o líder do partido político. Finalmente, há o domínio da legalidade, em virtude da fé na validade do estatuto legal e da competência funcional, baseada em regras racionalmente criadas. Nesse caso, espera-se o cumprimento das obrigações estatutárias. É o domínio exercido pelo moderno servidor do Estado e por todos os portadores do poder que, sob este aspecto, a ele se assemelham.(...) (WEBER. A política como vocação. p .99)

Weber interessou-se pelas estruturas de dominação especialmente sob duas formas: a burocrática e a carismática. A primeira corresponde ao tipo essencialmente moderno de administração, racionalmente organizado, ao qual tendem as sociedades ocidentais e que pode aplicar-se tanto a empreendimentos econômicos e políticos quanto àqueles de natureza religiosa, profissional etc. Nela a legitimidade se estabelece através da crença na legalidade das normas estatuídas e dos direitos de mando daqueles que exercem a autoridade. Em oposição a ela, as duas outras formas ( tradicional e carismática) fundamentam-se em condutas cujos sentidos não são racionais. Em comparação com a carismática, a tradicional é mais estável. Mas, em certas circunstâncias, cada uma dessas formas de dominação pode converter-se na outra ou destruí-la. As formas de dominação tradicionais ou racionais podem ser rompidas pelo carisma que institui um tipo de dominação que se baseia na “entrega extracotidiana à santidade, heroísmo ou exemplaridade de uma pessoa e às regras por ela criadas ou reveladas” ( WEBER, M. A ciência como vocação, p.165)
Fonte: Quintaneiro, T (org). Um toque dos clássicos: Marx, Durkheim e Weber. 2°ed. Ed. UFMG, 2002. 

Jean-Jacques Rousseau (1712 - 1778)


No estado natural o homem é bom. Assim é preciso distinguir o homem como deveria ser (estado natural), do homem que se transformou (evolução dos tempos devido a mudanças exteriores e ao progresso natural do homem). No estado de natureza não há desigualdade, esta foi construída socialmente, é produto do estado social.
Rousseau distingue dois tipos de desigualdade: a desigualdade natural ou física, por ser estabelecida pela natureza e que consiste na diferença de idades, da saúde, das forças do corpo e das desigualdades do espírito e da alma; a outra que se pode chamar de desigualdade moral ou política, por que depende de uma espécie de convenção e que é estabelecida, ou pelo menos autorizada, pelo consentimento dos homens. A desigualdade moral são os privilégios de uns para com os outros, sendo que não está essencialmente ligada a desigualdade natural.

Fonte: http://www.cdcc.usp.br

terça-feira, 2 de abril de 2013

John Locke (1632 -1704)

John Locke (1632 -1704), ao contrário de Hobbes, pode ser visto como um otimista em relação à natureza humana e ao convívio entre os indivíduos  [...]
Segundo a concepção de Locke, a sociedade resulta de uma reunião de indivíduos, visando garantir suas vidas, sua liberdade e sua propriedade, ou seja, aquilo que pertence a cada um. É em nome dos direitos naturais do homem que o contrato social entre os indivíduos que cria a sociedade é realizado, e o governo deve portanto comprometer-se com a preservação destes direitos. O poder é então delegado a uma assembleia ou a um soberano para exercer essa função em nome de uma união voluntária e consentida entre os indivíduos. A legitimidade desse poder reside, em sua origem, no consentimento dos indivíduos que o constituíram, e que podem portanto retirá-los daqueles que não governam no interesse da maioria ou que ameaçam a liberdade e os direitos dos indivíduos.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Thomas Hobbes (1588-1679)


 Thomas Hobbes (1588-1679) tem uma concepção de natureza humana que pode ser considerada negativa ou pessimista. Não propriamente no sentido do tema da miseria hominis que encontramos no pensamento medieval e mesmo na tradição humanista, mas por considerar o homem como naturalmente agressivo e belicoso. O “estado de natureza, ou natural” em que o homem se encontraria, abstração feita da constituição da sociedade organizada e do governo, é o estado de “guerra de todos contra todos”. O homem é o “lobo do homem” e movido por suas paixões e desejos não hesita em matar e destruir o outro, seu semelhante. O homem de natureza não descreve o homem primitivo, ou o homem anteriormente a qualquer organização social, mas sim como o homem se comportaria, dada a natureza humana, caso se suspendesse a obrigação de cumprir as leis imposta pela sociedade. Trata-se portanto de uma hipótese teórica, deduzida de sua teoria sobre a natureza humana, e não de uma consideração histórica de uma período anterior à formação da sociedade, embora pudesse existir em alguns lugares como entre “os povos selvagens da América” (Leviatã, cap.13) No entanto, isso não poderia ser concebido como prevalecendo universalmente. [...]
Hobbes não defende propriamente a monarquia absolutista, baseado nas teorias tradicionais do direito divino dos reis, mas sim a ideia de que o poder para ser eficaz, deve ser exercido de forma absoluta. Este poder absoluto resulta, no entanto, da transferência dos direitos dos indivíduos ao soberano, e é em nome desse contrato que deve ser exercido, e não para a realização da vontade pessoal do soberano. É nesse sentido que Hobbes é um contratualista – a sociedade civil organizada resulta de um pacto entre os indivíduos- sem ser um liberal já que defende o poder absoluto, poder considerado legitimo enquanto assegura a paz civil. É a esse soberano todo-poderoso que Hobbes denomina “Leviatã”, recorrendo ao nome do monstro bíblico.

MARCONDES, D. Iniciação à História da Filosofia. (201-204)

segunda-feira, 4 de março de 2013

Indicação de Leitura





Disponível em: http://books.google.com.br/books?id=Gg6wf7ziC9AC&printsec=frontcover&hl=pt-BR#v=onepage&q&f=false

Sinopse: Uma análise dos principais rituais e símbolos do Exército, vistos através de três importantes tradições: o culto a Caxias como seu patrono, as comemorações da vitória sobre a Intentona Comunista de 1935 e o Dia do Exército, comemorado na data da primeira Batalha dos Guararapes. Uma fascinante história por trás da História!

sábado, 2 de março de 2013

O declínio do Estado-nação



Sabemos que uma das mais bem-sucedidas formas de organização social criadas pelas sociedades humanas foi o Estado-nação, capaz de engendrar formas de identidade e desenvolver mecanismos de adaptação e hegemonia territorial e histórica entre seus cidadãos e perante os estrangeiros. Em razão disso, sustenta Octavio Ianni que nas ciências sociais predominam os estudos “do caráter nacional, destino nacional, projeto nacional, teatro nacional, música nacional, cinema nacional” (Octavio Ianni, Enigmas da modernidade-mundo)
Mas o que é uma nação senão uma forma de estabelecer relações de proximidade e distância, identidade e estranhamento, promovendo sentimentos de pertencimento e exclusão em relação a uma entidade abstrata e simbólica, que é o Estado? Esse modelo de administração geopolítica, que teve início com a Modernidade e foi responsável pelo desenvolvimento do capitalismo, se espalhou pelos diversos continentes. Baseia-se na força bélica, no conjunto de ordenações determinadas pela Constituição, no estabelecimento de fronteiras espaciais e no sentimento mútuo de inclusão/exclusão – ou se pertence a uma nacionalidade ou se pertence a outra. A identidade dos cidadãos com a nação floresce graças às políticas culturais e educativas que afirmam e oficializam a unidade linguística da nação e criam um imaginário comum que os aproxima – é a cultura nacional que se impõe, enfraquecendo as diferenças regionais.
As culturas nacionais foram soberanas por quase cinco séculos, estabelecendo fronteiras rígidas às formas de viver, comportar-se e sentir dos povos no mundo, impondo-se sobre as populações para além das diferenças étnicas, religiosas e mesmo linguísticas. A formação de impérios coloniais expandiu as culturas metropolitanas pelos territórios colonizados, provocando o enfraquecimento das culturas nativas. Toda essa hegemonia levou ao fortalecimento dos nacionalismos e de suas formas de identidade cultural, tornando-se sentimento predominante sobre outros sentimentos de pertencimento. [...]
A partir da década de 1990, porém, a força dos Estados-nacionais foi profundamente abalada por diversos fatores: a descolonização do mundo, que deu nova força aos grupos étnicos e às culturas nativas; o neoliberalismo, que colocou os interesses de mercado acima dos protecionismos nacionais; a intensa migração de povos pelo mundo e a globalização, que acelerou a troca de informações, mercadorias e mensagens entre nações e continentes. Todos esses processos enfraquecem o Estado como força aglutinadora de nações, levando à multiplicação de formações culturais no interior de diversos países, promovendo o embate, a troca de influências e o convívio entre culturas díspares. O resultado foi o reconhecimento do direito de existência de culturas minoritárias no interior das culturas nacionais e o crescente apego dessas minorias às suas tradições originais. Assim, as culturas nacionais sofrem um duplo golpe nesse momento histórico, chamado por muitos de pós-nacional – por um lado, assistem ao fortalecimento das culturas locais e regionais; por outro, sentem a potencia de uma cultura nova globalizada, que estimula a formação de grandes blocos e corporações de âmbito mundial. De um lado reforça-se o localismo, de outro, o cosmopolitismo.   

Adaptado. Cristina Costa. Sociologia: Questões da atualidade.