Dominação
Uma
das questões colocadas à Sociologia é a que se refere à persistência das relações sociais. O que pode levar a que o
conteúdo dessas relações ou elas próprias se mantenham? (...) Uma vez que Weber
entende que o social constrói-se a partir das ações individuais, cria-se um
problema teórico: como é possível a
continuidade da vida social? A resposta para tais questões encontra-se no
fundamento da organização social, chave do verdadeiro problema sociológico: a dominação ou a produção da legitimidade,
da submissão de um grupo a um mandato.
A
probabilidade de encontrar obediência dentro
de um grupo a um certo mandato torna os conceitos de dominação e de autoridade
de interesse para a Sociologia já que possibilitam a explicação da regularidade do conteúdo de ações e das relações
sociais.
A
dominação legitima pode justificar-se por três motivos de submissão ou
princípios de autoridade – racionais,
tradicionais ou afetivos. São portanto, três tipos de dominação legítima: a
legal, a tradicional e a carismática.
As formas básicas de legitimação justificam-se com base em distintas fontes de
autoridade:
(...)
a do “ontem eterno”, isto é, dos
mores santificados pelo reconhecimento inimaginalmente antigo e da orientação
habitual para o conformismo. É o domínio
tradicional exercido pelo patriarca e pelo príncipe patrimonial de outrora.(...)
A do dom da graça (carisma) extraordinário e pessoal, a dedicação absolutamente pessoal e a confiança pessoal na revelação, heroísmo
ou outras qualidades da liderança individual. É o domínio carismático exercido pelo profeta oi – no campo da
política – pelo senhor de guerra eleito, pelo governante plebiscitário, o
grande demagogo ou o líder do partido político. Finalmente, há o domínio da legalidade, em virtude da fé
na validade do estatuto legal e da
competência funcional, baseada em regras racionalmente
criadas. Nesse caso, espera-se o cumprimento das obrigações estatutárias. É o domínio exercido pelo
moderno servidor do Estado e por
todos os portadores do poder que, sob este aspecto, a ele se assemelham.(...) (WEBER. A política como vocação. p .99)
Weber
interessou-se pelas estruturas de dominação especialmente sob duas formas: a burocrática e a carismática. A primeira corresponde ao tipo essencialmente moderno de
administração, racionalmente organizado,
ao qual tendem as sociedades ocidentais e
que pode aplicar-se tanto a empreendimentos econômicos e políticos quanto
àqueles de natureza religiosa, profissional etc. Nela a legitimidade se
estabelece através da crença na legalidade das normas estatuídas e
dos direitos de mando daqueles que exercem a autoridade. Em oposição a ela, as
duas outras formas ( tradicional e
carismática) fundamentam-se em condutas
cujos sentidos não são racionais. Em comparação com a carismática, a
tradicional é mais estável. Mas, em certas circunstâncias, cada uma dessas
formas de dominação pode converter-se na outra ou destruí-la. As formas de
dominação tradicionais ou racionais podem ser rompidas pelo carisma que
institui um tipo de dominação que se baseia na “entrega extracotidiana à santidade, heroísmo ou exemplaridade de uma
pessoa e às regras por ela criadas ou reveladas” ( WEBER, M. A ciência como
vocação, p.165)
Fonte:
Quintaneiro, T (org). Um toque dos clássicos: Marx, Durkheim e Weber. 2°ed. Ed.
UFMG, 2002.
Nenhum comentário:
Postar um comentário