Definitivamente, a noção de
qualidade total é a noção de um mundo que não existe. Não pode existir um mundo
totalmente racional, onde cada qual funciona bem, no tempo previsto, com os
gestos necessários, sem sentimento, nem paixão.
A redução de pessoal acontece, mesmo quando as empresas estão funcionando bem. Uma companhia sueca, Eletrolux, suprimiu aproximadamente 100 mil empregos no mundo e 12 mil na matriz, porque o acionista principal queria um rendimento financeiro de 15% para as suas ações, rendimento esse que era de 9%, o que já muito bom, porque na Suécia não há inflação.
Numa situação assim, todos os assalariados, não importa qual seja o seu nível hierárquico, não sabem nunca se serão mantidos ou não no emprego, porque não é a riqueza econômica da empresa que vai impedir que exista redução de efetivo.
Vou dar o exemplo novamente da Peugeot e da Citroën, que conheço bem, na França. É uma empresa que está funcionando muito bem. Ela passa seu tempo a despedir as pessoas de maneira regular. Poderão permanecer na empresa apenas aqueles que são considerados de excelente performance.
Vocês sabem muito bem o que isso quer dizer, performance e excelência. Isso remete às pessoas ditas vencedoras. São aqueles que matam de maneira tranqüila, sem dó, "fritando" o semelhante, um outro profissional. Mata-se de verdade e a pessoa lesada não tem idéia, nem tem a impressão de que querem matá-la.
Isso é psicologização, na medida em que, se alguém não consegue conservar o seu trabalho, fala-se tranqüilamente: "você não soube se adaptar, você não soube fazer esforços necessários, não teve uma alma de vencedor, você não é um herói. Você é culpado e não a organização da empresa ou da sociedade. A culpa é só sua."
Isso culpabiliza as pessoas de modo quase total, pessoas que, além disso, ficam submetidas a um estresse profissional extremamente forte. Então as empresas exigem daqueles que permanecem um devotamento, lealdade e fidelidade, mas ela não dá nada em troca. Ela vai dizer simplesmente: "você tem a chance de continuar, mas talvez você também não permaneça."
A redução de pessoal acontece, mesmo quando as empresas estão funcionando bem. Uma companhia sueca, Eletrolux, suprimiu aproximadamente 100 mil empregos no mundo e 12 mil na matriz, porque o acionista principal queria um rendimento financeiro de 15% para as suas ações, rendimento esse que era de 9%, o que já muito bom, porque na Suécia não há inflação.
Numa situação assim, todos os assalariados, não importa qual seja o seu nível hierárquico, não sabem nunca se serão mantidos ou não no emprego, porque não é a riqueza econômica da empresa que vai impedir que exista redução de efetivo.
Vou dar o exemplo novamente da Peugeot e da Citroën, que conheço bem, na França. É uma empresa que está funcionando muito bem. Ela passa seu tempo a despedir as pessoas de maneira regular. Poderão permanecer na empresa apenas aqueles que são considerados de excelente performance.
Vocês sabem muito bem o que isso quer dizer, performance e excelência. Isso remete às pessoas ditas vencedoras. São aqueles que matam de maneira tranqüila, sem dó, "fritando" o semelhante, um outro profissional. Mata-se de verdade e a pessoa lesada não tem idéia, nem tem a impressão de que querem matá-la.
Isso é psicologização, na medida em que, se alguém não consegue conservar o seu trabalho, fala-se tranqüilamente: "você não soube se adaptar, você não soube fazer esforços necessários, não teve uma alma de vencedor, você não é um herói. Você é culpado e não a organização da empresa ou da sociedade. A culpa é só sua."
Isso culpabiliza as pessoas de modo quase total, pessoas que, além disso, ficam submetidas a um estresse profissional extremamente forte. Então as empresas exigem daqueles que permanecem um devotamento, lealdade e fidelidade, mas ela não dá nada em troca. Ela vai dizer simplesmente: "você tem a chance de continuar, mas talvez você também não permaneça."
Fonte: ENRIQUEZ, Eugène. Perda de trabalho, perda de identidade. In:
NABUCO, Maria Regina, CARVALHO NETO, Antonio. Relações de trabalho
contemporâneas. Belo Horizonte: IRT, 1999. (adaptado)