Atividade econômica de alocação de mão de obra, a chamada terceirização causa, na opinião de pesquisadores e sindicalistas, a precarização das condições de trabalho não apenas para os terceirizados, mas para os contratados diretamente pela empresa.
Para o presidente do Instituto de Pesquisa
Econômica Aplicada (Ipea), Marcio Pochmann, a terceirização é a parte visível
de uma transformação muito profunda do capitalismo.
O economista considera que o esgotamento do
modelo fordista de produção, representado pela padronização de atividades em
uma linha de montagem, resultou em diferentes formas de uso do trabalho.
Segundo ele, a partir dos anos 70, com o deslocamento crescente da produção de
manufatura para a Ásia, deu-se o esgotamento deste processo.
O processo
de terceirização está cada vez mais presente em todos os setores do
trabalho, incluindo empresas privadas
e também as públicas. Para Pochmann, essa cadeia de organização tem, nas repartições públicas, um papel
facilitador de problemas de corrupção. "Pois
sem concurso público o trabalhador terceirizado custa dez vezes mais que o
contratado", pontua. Ainda, no entendimento de Pochmann, os sindicatos deveriam se reposicionar, considerando as formas
contemporâneas de divisão do trabalho para que todos os trabalhadores possam
ser representados.
Para Ricardo Antunes, professor do Departamento
de Sociologia da Unicamp, há um novo conjunto de movimentos sociais em um
cenário de lutas globais muito duro. Segundo ele, é necessário, portanto, que
os sindicatos comprometidos com trabalhadores e trabalhadoras tomem como
desafio essas novas formas de divisão do trabalho.
"É preciso
compreender essa nova morfologia do trabalho. Há uma nova configuração da forma
de ser da classe trabalhadora. Eu acredito que combater profundamente a
terceirização é imprescindível", considerou Antunes.
Fonte: http://www.redebrasilatual.com.br/trabalho/2012/04/para-marcio-pochmann-terceirizacao-e-a-parte-visivel-do-iceberg (adaptado)
Sugestão de vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=TDCtYxfsCFM (Prof. Ricardo Antunes (Unicamp) no Tribunal
Superior do Trabalho – TST)
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